segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ipanema...pela Farme!

...é que as vezes a vida dá uma trégua, e eu me encontro ensolarado.
Queria que o tempo parasse aqui, nesta tarde de sol frio em Ipanema. Talvez a minha sessão de fotos pareça um culto ao meu corpo, mas é que eu me entendo melhor enquanto imagem, eu posso escrever muitas linhas, e até um livro falando sobre a minha vida, mas nenhuma palavra vai me descrever melhor que as minhas imagens. Talvez isso se deva pelo meu absoluto pânico de envelhecer, não tenho da medo da morte, mas de envelhecer tenho verdadeiro pavor, e acho que essa foi a forma que encontrei para me manter eternamente jovem, aqui o tempo nunca mais vai passar...enquanto isso eu observo os pelos da minha barba se tornando brancos e os primeiros sinais da calvice chegando, é tão desagradável não ter mais o abdômen que tinha aos vinte anos, mas eu sei que a minha extrema disciplina me salvará de tudo (foi ela que me salvou todas as vezes que a depressão me beijou), e é ela que me salva do profundo tédio, da pobreza espiritual, e até mesmo de um corpo debil antes do tempo.
Enquanto isso eu luto, luto contra o tempo, e também desejo vivê-lo e me entregar a ele.
Até quando o meu corpo suportará, eu não sei...Queria apenas que esta tarde em Ipanema e pela Farme (diferente de tantas outras que já passei aqui), jamais fosse esquecida...e que quando alguém lembrar de mim, possa lembrar-me assim: leve e menino! 
Cai a tarde
Como sempre
Como sempre
Diferente
Cai a tarde
De onde não se sabe
Pela Farme
Sobre a gente
Cai a tarde
Sem parar
Cai a tarde
E tudo parda
Cai a tarde
Meu amor regue as plantas
Cai a tarde
A tarde toda
Na velocidade da luz
Cai a tarde
Que é seu fim
Cai a tarde
Que é sem fim?
Cai a tarde
Em sua finalidade
Cai a tarde
Cai a tarde

                                                                 Adriana Calcanhotto

Um comentário:

  1. pela orla,
    pela beira,
    vai menino do rio
    pajeu
    rouba outros amres e o faz teu

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