sábado, 25 de junho de 2011

Eu quero ser um corpo inteiro


Eu sempre duvido do alcançe do meu espaço virtual. Talvez por eu me perceber falando sozinho boa parte do tempo. Mas acho que isso não é verdade, não estou sozinho!
Toda vez que alguém me escreve um email, tenta manter algum contato comigo via msn (pessoas que eu não conheço na maioria das vezes), fico com a certeza de que este espaço é um dos vários que tenho criado como forma de existir, e essa sensação de existir me mobiliza como pessoa. 
O meu blog (um espaço virtual), o meu quintal (um espaço real) são espaços de existência. Até a minha barba e os meus pentelhos são espaços em que afirmo existencia, trata-se de uma afirmação do meu corpo, ele existe (são espaços criados no meu corpo como forma de resistência a estética da "limpeza" herdada dos horríveis anos 90:  a década do medo do sexo, a década da força maior da AIDS).
Constantemente voltamos para os anos 20, 30, 70, 80, na moda, nas artes visuais, são décadas que se tornaram fortes referências do século passado, mas nunca vejo nenhuma área retornar aos anos 90 (foi uma década pobre de idéias, e sobretudo de ideais), ela foi movida por uma necessidade a assepsia e forte negação, vivemos tão intensamente as três décadas anteriores, que os anos 90 só poderiam refletir um imenso arrependimento.
E contudo isso o momento em que as pessoas começaram a voltar os seus sensos estéticos para uma negação do corpo, e fortemente para uma negação do sexo: menos sexo, menos pelos, menos visibilidade da genitália, ela passa a ser cada vez menos permitida, a grande vilã dos tempos modernos. A solução é a tentativa de anula-la ao máximo, como um sexo de manequim de vitrine.
A genitália só não é culpa nas crianças, ainda! Logo o molde estético de maior valor socialmente é o de adultos que parecem crianças (as mulheres frutas, panicats, e afins, falam de forma ingênua ao mesmo tempo que exibem suas bucetas depiladas e suas enormes bundas. Os homens, sobretudo no Nordeste brasileiro, e eu vivo aqui, portanto observo de perto,  exibem suas axilas depiladas, pernas e cus imberbes, como que acompanhados por um desejo de Peter Pan. Não quero dar juízo de valor a isso, dizendo se é bom ou ruim, é só um fato, um recorte da forma como a nossa sociedade lida com o que se relaciona com a sexualidade, e liga o sexo a nudez).
Alguém já reparou que depois dos anos 80, as roupas dos atletas aumentaram de tamanho? Os shorts dos jogadores de futebol e de volley, sem falar em todos os outros esportes de equipe, ah, e também as sungas do nadadores. Toda essa reviravolta, reverberou no comportamento dos meros mortais, de repente todo mundo cresceu as próprias sungas, ou passou a vestir aquele short HORRÍVEL grande, até os joelhos na praia (aquilo deve deixar uma marca de sol no meio do joelho, que deve ser mesmo uma visão do inferno), eu me sinto de frauda quando visto uma sunga grande, quadrada, sem um corte que possa deixar as minhas pernas mais longas. 
Tudo isso culpa da dona culpa, que passamos a carregar pela nudez, pelo prazer e pela sexualidade, e ela reflete no corpo da nossa época,  no corpo da nossa sociedade. Viva a mídia em torno dos produtos de consumo! Viva a igreja!!! Viva a qualquer merda que nos deixe cada vez mais distantes do próprio corpo!!!
Esses dias fui surpreendido com as calças na mão, uma pessoa me perguntou: como você se sente sabendo que gente do mundo inteiro se masturba vendo as suas fotos? Eu fiquei paralizado. Logo em seguida falei: eu me sinto lisonjeado! Eu acho que é maravilhoso emocionar as pessoas (risos).
Eu não vejo problema nenhum com isso, embora eu adoraria se pudessem entender o que há por trás de tudo isso, por trás da imagem exposta do meu corpo. Embora eu acho que a maioria não vai entender nada além disso, não vai mesmo.
Boa parte das pessoas nunca entenderia a obra do Marquês de Sade, outro dia eu assisti em Porto Alegre um trabalho de teatro de outra cidade, inspirado em sua obra, um desastre, não dá pra falar do Sade fingindo o gozo (comprei um livro de contos dele, sei que ele não era péssimo como aquele espetáculo:  que ousa ser parte de uma trilogia), assim como não consigo afetar tantas pessoas sem uma boa carga de exposição.


Como vou falar de despudor, se tiver pudor? Como vou falar de relação com a nudez, se eu só conseguir me relacionar com ela criando espaços propícios em teatros para platéias de 60, 400 pessoas? Não, não, é preciso ir além, sempre, sempre, e isso daqui é um grande veículo pra me fazer ouvido. Sei que uma vez postado aqui não é mais só meu, perco de fato o crontrole da coisa, mas sei também que tive tempo o suficiente na vida para ponderar o peso da exposição, e sobretudo o peso das minhas escolhas. É uma escolha! De vida! E eu adoro ficar nu!
Estar nu é uma condição humana, como estar vestido, não deve ser um problema, é só isso que precisa ser entendido, não há problema com a nudez, nem com a sexualidade, nem no fato de vive-la e poder tratar dela como algo importante na vida (gente eu estou parecendo um sexólogo, risos de novo).
Alguém se questiona se há algum problema no fato das pessoas permanecerem vestidas? Pra mim isso parece muito doentio, não há opção, você permanece vestido, ou vestido, e acabou!


EU QUERO SER UM CORPO INTEIRO!


Minha nudez, minha forma de se vestir... tudo é espaço criado pela necessidade de existir.
Vou vivendo sem pedir permissão, criando forma e potência a medida em que vivo como penso.


ExistiR-esistir.




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