quinta-feira, 24 de maio de 2012

Como vejo Fortaleza (texto ainda não corrigido, mas quis logo postar)





Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção; 
Vila de Fortaleza;
Cidade de Fortaleza de Nova Bragança;
ou simplesmente Fortaleza.

Fortaleza é uma cidade de 286 anos que nem sempre foi a capital no Ceará, a primeira foi Aquiraz (cidade que detinha o poder econômico, enquanto a nossa tinha o poder político).
De lá para cá muita coisa mudou, o Rio Pajeú já não tem água potável, aliás ele mal existe, e acredito que boa parte da população não saiba nem por onde ele corre. 
E essa parece ser a marca da nossa história, sabemos pouco sobre nós mesmos, e não temos interesse em saber. 
A cidade que um dia viveu os tempos áureos na arquitetura, nas artes e nos costumes da Belle Epoque, (sim nós a vivemos tão intensamente quanto Paris, exatamente na mesma época, talvez daí venha a queda dos Fortalezenses pelos Parisienses e por coisas vindas da França), hoje só quer ser Miami Beach, viramos uma "little Miami", e isso é simplesmente deprimente. Fortaleza deprime qualquer pessoa com senso estético e cultural mais apurado. Falo isso porque sou daqui, então posso falar da minha terra com propriedade. Basta sair pelas ruas e vê o que restou, quase nada dos casarões centanários, quase nada dos bons modos de outros tempos, sobra lixo e faltam árvores pelas ruas. Olhar para cima virou um grande desafio, como apreciar arquitetura se a minha cidade não tem uma experiência decente atual com arquitetura? Olho e só vejo blocos de concreto, cheios de janelas espelhadas (pobreza de espírito e de bom gosto).  
Sinto saudade de um tempo em que não vivi na Fortaleza. 
Tempos esse em que as praças ganhavam os seus nomes e paralelo a isso os seus jardins também ganhavam nomes ilustres (era importante que houvessem jardins naquela época). Hoje as pessoas não sabem nem o que é dizer obrigado, quanto mais pensar em jardim. Acho que se o Fortalezense pudesse sairia colocando asfalto por cima de tudo e azulejando até a Igreja da Sé (cearense adora azulejo, e como eu odeio esse maldito revestimento liso, nada é mais brega que azulejo).
É, o tempo passou e somos nós os que mais perderam, perdemos as nossas raízes. Às vezes quando chego em uma cidade do interior do Ceará ainda consigo captar alguma coisa, só consigo me relacionar com estas pequenas cidades que ainda mantêm alguma coisa, quase nunca sinto saudade da minha própria cidade, e eu acho isso tão estranho, acho tão feio admitir publicamente, todos os meus amigos amam as suas cidades, e eu no entanto fico assim com dificuldade de estabelecer afeto com o lugar onde nasci.  
Como posso gostar de um lugar  que terá um AQUÁRIO GIGANTE como atração turística enquanto todos o equipamentos CULTURAIS do GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ  estão sucateados, caindo aos pedaços? E eles continuam nos fazendo engolir goela abaixo propagandas enganosas dizendo que o Ceará é um paraíso, o lugar do futuro. Tá bom! Só se for um futuro bem negro, bem pobre de cultura e de espírito. Eu não posso amar uma cidade que tem um shoping, uma concessionária e um Mc'Donald dentro de uma reserva ecológica.
No entanto, eu olho para os lados, e parece que todo mundo acha isso tão natural, eu tentei reagir em relação a construção do AQUÁRIO, me coloquei, postei mil coisas na internet via facebook, e nem mesmos os artistas deram uma palavra (fiquei com vergonha de ser artista), posto qualquer bobagem ali e todo mundo curte horrores, mas sobre o aquário três gatos pingados diziam algo, ai fico me perguntando: o que é ser artista no raio dessa terra? É só ser poeta? Viver de afeto? Ou se calar quando convém? Não quero ser artista, nem cidadão que cala, embora falar me custa muito na maioria das vezes.
Eu desejo um futuro melhor para Fortaleza embora depois de toda essa desilusão com a gestão da Prefeita Luizianne Lins, eu tenha muito mais dúvida do que certeza de que a nossa cidade possa melhorar (só pra constar, a prefeitura também vive de propagandas enganosas, o slogan da prefeitura é FORTALEZA BELA, mas o que vemos é uma cidade destruída, com o centro cheio de lixo, de barraquinhas (a Praça da Estação nosso cartão postal tomada por vendedores ambulantes), uma miséria que me faz lembrar os piores lugares do mundo em que já estive. Uma tristeza!
Enquanto isso, nós nem nos damos conta que um dia tivemos Paris como influência. Nós queremos mais é ser Miami beach. Mas também estamos longe de ser Miami, estamos longe de qualquer cidade com o minimo de educação e cultura. 
Nos achamos muito civilizados, mas nem no tempo em que andávamos em bondes puxados a burros, eramos tão sem sensibilidade com o que está em volta, com o outro. Onde está o nosso senso de coletivo? Por que achamos que a calçada do outro também não faz parte do que somos?
Vivemos grandes períodos de invasões europeias e continuamos dessa forma, vendo portugueses, espanhois, italianos e o diabo a quatro comprando por migalhas a nossa cidade, o nosso estado.
Sei que vocês podem falar, poxa mas você só mete o pau? E eu respondo: ACORDEM! 
Estamos todos sonolentos, vivendo em uma cidade que não é a que certamente queremos viver.

POR UMA FORTALEZA MENOS DURA;
POR UMA FORTALEZA MAIS CONTEMPLATIVA;
POR UMA FORTALEZA MAIS LIMPA;
POR UMA FORTALEZA MAIS ARBORIZADA;
POR UMA FORTALEZA SEM SOM DE ALTO FALANTE;
POR UMA FORTALEZA SEM AQUÁRIO;
POR UMA FORTALEZA COM MUSEUS E TEATROS RESTAURADOS;
POR UMA FORTALEZA SEM PROPAGANDA ENGANOSA;
POR UMA FORTALEZA NOSSA ANTES DE QUALQUER COISA;
POR UMA FORTALEZA BELA ALÉM DO SLOGAN.







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