quinta-feira, 17 de março de 2011

Bem, como antes de ontem eu peguei pesado no texto do post anterior, eu agora quis me redimir, hahaha, e tirar um pouco o rastro de cu que ficou, então vou dividir com vocês as flores do meu jardim, vou deixa-los agora com um rastro de delicadeza, huuuuummm... com um rastro de flores, huuuummm...



Essas são as minhas lindas orquídeas, ao contrario da maioria, elas adoram sol, são chamadas de "orquídeas bambu". Esses pés já estão tão altos que quase tocam o teto.


Mas confesso mesmo, é que tenho paixão por esse pé de jasmim, é uma árvore bem regional, penso eu, e as flores são tão simples, e tão delicadas. Um único buque leva meses para se formar.


Essa última é uma trepadeira, passei anos com ela arquejando, até que descobri que ela não gosta de vento. Mudei a coitada de lugar, e ela me agradeceu, se desmanchando em flores e nova folhagem.




Por fim, meu quintal, um verdadeiro santuário para mim. É aqui que leio no final de tarde, acesso internet, mexo com a terra. E recebo visitas dos amigos, de beija-flores, e (pasmem) até de carcarás (é uma espécie de gavião, uma ave de rapina do nordeste).


Para Silvia Moura (a menina monstra), acho isso tudo a cara dela.

terça-feira, 15 de março de 2011


Antes de ontem foi domingo, e eu não fiquei em casa, fui para a sala de aula, trabalhar faz bem a alma, e certamente dignifica o homem. Uma mestra do passado já dizia: meu querido, quando tudo estiver dando errado, entre na sala dia após dia, e apenas dance, dance até quebrar todas as suas resistências da alma.
Ela estava certa. Iniciei na prática o que já vinha tocando há tempos na teoria, eu só queria uma desculpa.
Hoje voltei a sala para ensaiar L’après Midi D’un Fauller. Não foi nada fácil, putz, como é difícil ensaiar esse trabalho. Como é difícil revisitar as sensações, e as motivações que me fizeram querer o compor. Eu não sei se ainda quero ficar muito tempo o apresentando, depois que cumprir com todas as minhas apresentações que já estão agendadas. Torço para que não seja um tormento.
Tudo foi difícil, subir novamente naquele salto alto de 18 centímetros, e puxar suas rédeas. Subir no monociclo foi ainda mais doloroso, parece que ele trás uma carga de lembranças, e de sensações que me colocam como alguém solitário, nas bordas do abandono (em um determinado momento, enquanto estava sentado ainda nele, parei na janela, olhei o horizonte possível de se ver, e fui de veras tocado por aquela música, não me contive). Desci, e em um desespero contido de sala de aula, me sentei e escrevi compulsivamente. Que bom, que bom mesmo, isso me trouxe de volta tanta lucidez, várias questões que me incomodavam no trabalho acabaram se resolvendo ali mesmo, trouxe para casa outras a serem resolvidas sem mais temor, e junto a elas trouxe uma certa alegria em me sentir vivo com esse processo de trabalho.
Agora outra questão, que vem tomando o meu pensamento há muitos dias. Eu fico realmente muito impressionado com a quantidade de pessoas que visitam esse espaço, talvez por eu ter um dia achado ingenuamente que ele era só meu e das pessoas que eu escolhesse, que bobo isso. Mas de fato o que me impressiona é que quase todo mundo cala. Eu não sei, se isso denuncia uma carência minha em dialogar com as pessoas, ou se de fato calam por ser mais cômodo diante dos meus posts (entendo que deva ser muito mais cômodo e "fascinante" postar frases "meigas" no facebook, e ter 40 comentários, e várias "curtições", entendo que o ego precisa ser amaciado dia após dia).
Eu tenho consciência do tamanho da minha exposição, estava conversando sobre isso semana passada com um bailarino que trabalha comigo, e não é porque eu estou pelado mostrando o pau, mostrando o cu, não, nada disso, até porque cu pra mim é igual a boca, é igual a qualquer outro buraco que tenho no corpo, cu é uma bobagem gente, e também é uma delícia, não? Adoro cu, gosto de cu de mulher, embora prefira cu de homem, os pelos em volta, o piscar cheio de opinião, sabe? E o cheirinho? Muito bom cheiro de cu, lembro de uma vez em que o amigo coreógrafo Marcelo Evelim me disse que não gostava de um espetáculo que acabavamos de assistir, porque segundo ele "estava todo correto, mas faltava aquele cheirinho de cu, que uma coisa tem quando é boa".  Olha eu aqui, já quase filosofando sobre o fascínio que o cu exerce sobre nós (o cu tem as suas finalidades nobres também, não sejam hipocritas, que eu sei que vocês adoram, kkkkk).
Mas para mim, exposição mesmo, é quando falo das minhas fragilidades, dos meus medos, dos meus anseios, aí sim, me sinto me desnudando. De qualquer forma sei que um dia posso pagar caro, por me expor sem pudor ou culpa, também já conversei sobre isso com outra amiga, e ela me disse que é verdade, que posso pagar por isso tendo o meu nome jogado na lama, mas que sabe também que se isso acontecer, sabe que eu tenho culhões para agüentar o tranco.
E no fim das contas, tudo isso me coloca pra pensar em como as pessoas da minha cidade são caretas, e os artistas não fogem a essa regra, aff, cidade careeeeeeeta. Pior, sem querer generalizar, é que alguns artistas se acham os tais, contemporâneos, modernos, só porque colocam algumas citações no facebook, chatos.
Nossa, mas eu estava indo tão bem, estava tão doce, de repente fiquei assim, amargo. É, é isso mesmo.
É melhor eu me deter aos meus processos, que ficar aqui analisando ética, e posicionamento artístico alheio.


sábado, 12 de março de 2011










12 de março de 2011, 18:10h
Hoje mais um dia de tristeza para mim passou, e no meu olhar nada se alegrou...













Tudo isso vai passar.
Foi só um engano,
só um sonho,
e só uma loucura minha, claro.


sábado, 5 de março de 2011



águia nordestina
a guiar meninos e meninas
como eu
comove-me vê-la
asas como velas abertas no céu

assistir teus partos
braços parcos barcos
lacrimejando portos
dando adeus

deusa d'água
iemanjá de cacimba
iansã iara minha irmã
curuminha cunhatã

meu coração
é uma cuia que transborda
um arco reteso
um bicho assustado de amor
um rumor de capim crescendo

águia nordestina
abre as asas sobre nós
meninas e meninos nus

ainda índios
para sempre teus

como filhos
novilhos
tordesilhos
mato adentro
mar afora
goytaquases
para sempre teus.



De Chico César para Maria Bethânia via email.


sexta-feira, 4 de março de 2011


É carnaval, quanta alegria... me deixe fora dessa euforia de três dias.

                                                        Eu estava de Luis XIV, o rei sol
                                                        Também veio a Amy Winehouse
                                                    Adoro essa foto com a Gal Tropicalista
                                                                  Fetiche

quinta-feira, 3 de março de 2011

Esses teus traços da mais pura descendência indígena, menino-filho Tremembé.


Mergulhei em um rio e a água tornou-se turva, me desesperei, quase não via nada, me debati com braços e pernas, quase me afoguei. Foi então que por alguns instantes, eu me deixei levar pela força da correnteza, me acalmei, e sem fazer grande esforço a água me trouxe de volta a margem do rio.
Ali sentado, eu percebi que eu poderia antes de ter entrado, ter admirado a paisagem em volta, molhado primeiro os pés, eu poderia ter ficado ali, na margem por horas, sentado e em silêncio, apenas escutando a água antes de entrar. Mas não, quase morri porque entrei de cabeça, pura afobação.
Mesmo os homens fortes de corpo e de alma, como eu, às vezes são pegos de surpresa pela força da vida, e dos acontecimentos, e isso tudo é bem capaz de nos tornar “crianças” perdidas em meio a uma tempestade.
Eu estive mergulhado em um grande rio turvo, e foi aí que eu percebi como o silêncio se faz necessário, às vezes a gente fala muito, faz muito, quer muito, sem antes sentar na margem do Rio.
Esse texto ainda tem haver com o último, que postei um mês atrás, mas agora eu consigo parar, respirar, pensar, e ver tudo com mais discernimento. E isso é tão bom, mesmo que as coisas ainda não tenham se resolvido, mas eu simplesmente consigo ouvir o silêncio agora, envolto a toda correnteza.
Eu não sou um homem de desistir das coisas que quero, talvez por isso eu consiga tudo o que quero, sempre consegui. Mas acho que eu estava confundindo ser forte, com usar força, com fazer algo sempre. Parece que eu não lembrava de como havia conquistado as outras coisas. E às vezes tudo o que a gente precisa pra ser forte é não fazer nada, é poder olhar o rio de fora.


Foi que você me apareceu com essa pele parda, com esse cheiro de bicho do mato (filho de pescador), com toda tua beleza da mais pura descendência indígena, menino-filho Tremembé. Ah, esses teus cabelos lisos, negros, macios. Olhos puxados, que por pouco não me fizeram perder a cabeça. Justo eu, tão polido, tão culto, tão cheio de coisas.