Viva a felicidade abolindo quase toda a maldade
como se o amor trouxesse o gozo da infância;
Bem que voltar a infância, bem ter carinho e delicadeza
igual o que nos torna o bem maior da natureza;
Eu era sem primavera, dessas que o ano não principia...
poesia não me dizia...ternura em mim não havia...
faltava encanto na melodia...
Não parava uma saudade, velha de pouca idade;
Ia vivendo a necessidade;
Não parava uma saudade, velha de pouca idade;
Ia vivendo a necessidade;
Hum da hum da hum dara hum dara
Hum da hum da hum dara hum dara
Canta: Vanessa da Mata
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
A Construção Física de Um Bailarino
Escrevendo o texto (fotos Residência Coreográfica da Cia. Dita - 2008).
Fotos Alex Hermes
terça-feira, 24 de agosto de 2010
O verdadeiro Fauller
Haroldo Fauler Freire de Freitas, leonino, ex-jogador de futebol, meu Pai.
É, esse foi o meu pai, nunca fomos realmente próximos, e talvez nunca nos amamos de verdade, vai saber! Mas de uma coisa eu não posso me queixar, meu pai sempre foi um homem presente na minha casa enquanto esteve vivo e saudável.
Lembro de uma vez quando eu era criança, estava passando na rua, chegando em casa, eu deveria ter uns 9 ou 10 anos, e um garoto da rua começou a me insultar me chamando de "viado" e dizendo que eu tinha Aids (eu era apenas uma criança), eu fiquei sem ação, mas o meu pai vinha atrás, e acabou com aquele garoto (do inferno), essa é com certeza uma das lembranças mais fortes que tenho dele, pois naquele momento me senti protegido. Lembro também dele trazendo pães e marias malucas a noite quando vinha do trabalho.
Mais tarde quando ele adoeceu e morreu, uma velha me disse com ar de maldade que ouviu alguém falando que ele morreu de desgosto de mim, por eu ser artista, por eu ser do teatro, por eu gostar também de caras. Putz, como aquilo me doeu, fiz que não entendi, mas só eu sei o que senti naquele momento, eu acho que nunca falei sobre isso com ninguém. Isso de alguma forma me colocou no chão, com os pés no chão, ser arttista, e bem sucedido, a partir daí era questão de honra. Acho que aí entendi como o mundo pode ser cruel e te distruir, se você for fraco. MAS EU NÃO, EU SOU FORTE.
E meu pai embora não tenha sido alguém por quem eu morria de amores, nunca deixou de ser presente.
Outro dia eu deitei por volta de 18h, não estava muito bem, ventava muito, o vento assobiava na janela de forma a me impor medo, rezei e pedi para que aquela ventania levasse para longe tudo que fosse ruim, e me trouxesse algo de bom...acordei pouco tempo depois, com o quarto cheirando a flores, e a forte presença dele...isso me trouxe de imediato uma sensação de conforto e mais uma vez eu me senti protegido. 






segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Ipanema...pela Farme!
...é que as vezes a vida dá uma trégua, e eu me encontro ensolarado.
Queria que o tempo parasse aqui, nesta tarde de sol frio em Ipanema. Talvez a minha sessão de fotos pareça um culto ao meu corpo, mas é que eu me entendo melhor enquanto imagem, eu posso escrever muitas linhas, e até um livro falando sobre a minha vida, mas nenhuma palavra vai me descrever melhor que as minhas imagens. Talvez isso se deva pelo meu absoluto pânico de envelhecer, não tenho da medo da morte, mas de envelhecer tenho verdadeiro pavor, e acho que essa foi a forma que encontrei para me manter eternamente jovem, aqui o tempo nunca mais vai passar...enquanto isso eu observo os pelos da minha barba se tornando brancos e os primeiros sinais da calvice chegando, é tão desagradável não ter mais o abdômen que tinha aos vinte anos, mas eu sei que a minha extrema disciplina me salvará de tudo (foi ela que me salvou todas as vezes que a depressão me beijou), e é ela que me salva do profundo tédio, da pobreza espiritual, e até mesmo de um corpo debil antes do tempo.
Enquanto isso eu luto, luto contra o tempo, e também desejo vivê-lo e me entregar a ele.
Até quando o meu corpo suportará, eu não sei...Queria apenas que esta tarde em Ipanema e pela Farme (diferente de tantas outras que já passei aqui), jamais fosse esquecida...e que quando alguém lembrar de mim, possa lembrar-me assim: leve e menino! 

























Cai a tarde
Como sempre
Como sempre
Diferente
Cai a tarde
De onde não se sabe
Pela Farme
Sobre a gente
Cai a tarde
Sem parar
Cai a tarde
E tudo parda
Cai a tarde
Meu amor regue as plantas
Cai a tarde
A tarde toda
Na velocidade da luz
Cai a tarde
Que é seu fim
Cai a tarde
Que é sem fim?
Cai a tarde
Em sua finalidade
Cai a tarde
Cai a tarde
Adriana Calcanhotto
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Rio
Ontem me apresentei mais uma vez, em mais um teatro aqui no Rio.
Toda vez que venho ao Rio de Janeiro tenho a impressão de ser mal recebido (na verdade não é uma impressão, é fato!), e aí eu me vejo na obrigacão de subir no palco e provar para todos aqui, que o fato de ser do Ceará não quer dizer que eu vista jibão, ande léguas atrás de uma cabaca d'água, e não seja antenado com o que exista de mais moderno nas artes e no mundo fashionista.
Sempre sou recebido meio com indiferenca, só quando desco do palco é que as coisas mudam...então não esquento...espero acabar a apresentacao pra fazer novos amigos...ou não, porque a essas alturas eu já posso escolher quem vai chegar perto.
Também tenho lindos amigos aqui no Rio.
domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
Incorpore a revolta
Venho sentindo nesses últimos tempos que ser uma pessoa responsável, me trouxe muitas coisas boas. E muita dor de cabeça também. É aquela máxima, quanto mais poder, maior é a responsabilidade. E a minha vida tem sido trilhada sempre as duras penas, sempre, sempre, desde criança, eu sempre tinha que ser o aluno numero um da sala, senão era um terror em casa, nada de violência, mas sempre havia aquela chantagem emocional, quando eu não ganhava a medalha de primeiro lugar: minha vó (que eu tanto amava, linda) e meu pai (não tão adorado assim, embora muito digno como homem e como pai), sempre falavam, esse ano você fracassou, mas no ano que vem, você recupera o seu lugar...acho que isso é a coisa que mais ecoa em mim até hoje...as vezes penso que ainda estou no colégio e que ainda preciso ganhar a medalha de primeiro lugar; e aí corro como se fosse competir, faço aula de balé, nado, vou a academia, leio, estudo, durmo tarde pensando em como será o outro dia, acordo pensando como será o dia, morro de cansaço e sempre acho que não estou rendendo o que deveria, um inferno!
Sei que isso muitas vezes me antecipou, me ajudou...mas as vezes me sinto levando todo mundo que está em volta. As vezes percebo todos lentos, todos a espera que eu resolva, e PUTA QUE PARIU, VÃO TOMAR NO CU!!!
Ontem resolvi me revoltar, fui ao cinema sozinho, tomei coca-cola, comi chocolate (nossa que delicia) coisas que passo longe, e controlo quem está por perto para não comer também (sempre que viajo com a Cia. Dita, envio email para os diretores dos festivais, ou produtores, para que eles não coloquem doces, salgados e refrigerantes para nós no camarim).
Entao, continuei minha odisséia da revolta, desliguei o meu celular, e não fui a um ensaio, pois eu achava que a Wila iria sem mim, resultado, ela também não foi e acho que todo mundo ficou esperando por nós dois.
Entao, continuei minha odisséia da revolta, desliguei o meu celular, e não fui a um ensaio, pois eu achava que a Wila iria sem mim, resultado, ela também não foi e acho que todo mundo ficou esperando por nós dois.
Sei que incorporar a revolta pode parecer infantil, ou meio aborrescente, mas essa é bem diferente da que incorporava quando terminava um namoro, aos vinte anos, e saia e dava pra dez, doze caras numa só noite, essa sim era pra lascar, HAHAHAHA .
Pensando bem, acho que cada vez que eu experimento um pouco de irresponsabilidade, é como saltar de um trapézio, maaaaaas...nunca o faço sem uma rede em baixo. Eu sempre quero saltar de novo, e como saltar novamente, se não houver rede? Como teria dado de novo, se não houvessem preservativos? (embora esse salto coletivo, rsrsr, esteja definivamente fora dos meus planos).
Quando experimento viver um pouco menos regrado, percebo que as pessoas em volta de mim, se tornam mais independentes, mais espertas, e é isso que eu quero!
Essas são as revoltas pessoais, mas eu me pergunto: onde estão as revoltas coletivas de Fortaleza? Porque não tocamos fogo nos ônibus que estão em greve? Porque não nos revoltamos contra a propria Polícia do Ronda (polícia bandida), porque não quebramos todo um terminal de ônibus, ou entramos uma multidão na prefeitura da Luizianne Lins? Fortaleza é sempre tão calada, só sabe abrir a boca quando é pra falar bobagem no "se vira nos trinta" do Faustão, ou no concurso de piadas cearenses. Sinto falta de sermos muitos! E também falta de sermos um só!
Incorporar a revolta pode, é, e deve ser político também.
Então, chibata nos franceses que falam bobagens no palco sobre a nossa cidade;
Chibata nos motoristas e trocadores que fazem greves abussivas;
Chibata com gosto de gás no ladrões de celulares;
Chibata no Ronda do Quarteirão;
Chibata na prefeita Luizianne Lins...essa é que tem que levar chibata mesmo, e das grandes! HAHAHAAH
Para os queridos: Breno Caetano, Silvero Pereira e Silvia Moura.
Para os queridos: Breno Caetano, Silvero Pereira e Silvia Moura.
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