domingo, 7 de novembro de 2010

Nunca mais um amor triste,
chega de amores tristes...
te faço cafuné,
um bolo de fubá,
te trago jasmim,
e faço valer a pena!


 Andando a cavalo deprimido enquanto os "Dois" me observavam.
Serra de Guaramiranga - CE, dezembro de 2008.


Finalzinho de fim de semana. Estive bastante incomodado e pensativo durante todo o fim de semana com a questão da reação das pessoas que meteram o pau nos nordestinos em suas páginas por toda a internet, sei que parece muito barulho, mas é realmente muito difícil pra uma pessoa com a consciência política que eu tenho ficar passivo a tantos manifestos de ódio e de descriminação. Vi na sexta até o presidente Lula se pronunciar, putz, ele foi de uma elegância, que me fez admira-lo ainda mais, li também um texto ontem no site do Yahoo, muito bacana, bem escrito, infelizmente eu não o salvei, gostaria de um dia poder lê-lo sobre o palco para muitas pessoas, na verdade eu acho que todo esse barulho é necessário, se tomou essa proporção é porque é algo latente e tem mesmo que ser discutido, não acredito que isso seja só um ruído, como escrevi dias antes, e acho que temos sim, que nos manifestar e conversar sobre isso da melhor forma.
Dentre outras coisas, o Lula falou que é preciso que “os diálogos em torno das nossas preferências precisam ser melhor qualificados”, e todos nós possamos ter o direito as nossas escolhas, independentes de cor, fortuna, ou sotaque. Bem, acho que deu pra todo mundo entender, não é?
Isso me coloca pra pensar em qual é o meu papel e o de cada pessoa que trabalha comigo, e como podemos construir as nossas relações e os nossos afetos no ano que vem quando estivermos em turnê por todo o Brasil, gostaria de alguma forma incluir essa discussão nas minhas aulas, nas conversas e nos debates em torno do meu trabalho quando chegar aos outros estados. Sei que não é muito, mas é o que eu posso fazer, é um trabalho de formiguinha, e sei da potência que tem a minha voz através do meu trabalho, enfim... vou pensar, pensar, pensar...
isso vai reverberar, sei bem disso.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Brasil fala a mesma língua

Achei essas fotos aqui, e quis dividir com vocês do norte, do nordeste, do sul, do sudeste e do centro-oeste, chega dessa tensão desnecessária. Vou falar a língua que todo mundo entende, kkkkk.

                                                         Fauller entre 2006 e 2009

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ORGULHO DE SER NORDESTINO


Ontem fui dormir indignado, quero manifestar aqui o meu REPÚDIO pela estudante de direito Maiara Petruso (que direito é esse que ela estuda heim?).
Fico aqui pensando no quanto ainda somos fragéis politicamente, a partir do momento em que uma criatura dessa natureza solta pérolas xenofóbicas na internet contra nordestinos, é, o Brasil ainda é muito frágil, e muito dessa fragilidade ainda se deve a pessoas (pessoa?) com esse tipo de pensamento.
O que me conforta, é na verdade pensar que uma criatura dessas (criatura ou coisa?) deve ser uma zero a esquerda que ainda nem construiu nada na vida, deve fazer faculdade porque paga e nada mais, enquanto eu NORDESTINO COM MUITO ORGULHO, já fiz tanto pela minha vida, dançei, danço nos maiores teatros do mundo, faço do meu trabalho algo produtivo e com poder de voz, tento fazer com que ele seja um instrumento em favor do coletivo, da minha sociedade.
Maiara filha (deus me livre de você ser minha filha), se coloca no teu lugar, se você ainda não sabe quem construiu São Paulo eu vou te falar agora, fomos nós NORDESTINOS, São Paulo é o que é hoje pelo nosso suor, então melhor encontrar alguma coisa útil nessa tua vida menor pra fazer. Já é hora da gente crescer como PESSOA, como CULTURA, como NAÇÃO.
Essa é uma questão que defiitivamente não cabe mais ao nosso país, nem considero isso uma questão, embora esse ruído esteja por aí, é preciso ficar atento. Na verdade acho que isso é uma doença mesmo, um desvio de carater e no caso dessa "criatura" como se diz aqui na minha terra, é falta de um bom "chibatozol no lombo".
Me desculpem por meu texto tão rude, quero mesmo descer das tamancas, e não vou poetizar sobre o racismo de ninguém, me recuso a poetizar sobre criminosos.
O Brasil é um país incrível meeeeesmo, sei disso porque já corri pelo mundo, o Brasil é a maior nação do mundo!!!
E enquanto pensarmos que somos norte, sul, nordeste, sudeste, centro-oeste, a minha, a tua região, a minha raça, a tua raça, ou o que for...ficaremos longe de legitimar a nossa condição de grande nação do planeta, lá fora todo mundo sabe disso, e todos temem que nós brasileiros também possamos um dia saber.


 CARTOGRAFIA DO TERROR NEO-NAZISTA DE MAIARA PETRUSO


A troca de ofensas por causa de manifestações preconceituosas contra nordestinos, iniciada após o resultado das eleições presidenciais, prosseguiu ontem nas redes sociais, em especial no Twitter, mesmo depois que o Ministério Público informou que pode acionar a Justiça para a retirada dos textos da Internet.

Principal alvo das reações, a estudante Mayara Peluso, que havia postado diversas manifestações antinordestinos em seu microblog, chegou a apagar seu perfil tanto no Twitter como no Facebook, mas ontem os recriou (desta vez usando “i” no lugar do “y” em seu nome), e com novas ofensas contra os nascidos no Nordeste.


Como O POVO mostrou ontem, logo após a confirmação da vitória de Dilma Rousseff (PT) nas urnas, a estudante escreveu nas suas redes sociais: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”, escreveu, insatisfeita com o resultado das eleições e “culpando” as Regiões Norte e Nordeste pela vitória da petista. O argumento dela e de outras pessoas que a apoiam é que Dilma foi eleita pelos votos dos nordestinos, mais “ignorantes e manipuláveis”, pois recebem o Bolsa Família.


No entanto, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dilma também venceu as eleições no Sudeste com 51,88% dos votos, contra 48,12% do então candidato José Serra (PSDB).


Em reação, vários usuários ainda escreviam em seus microblogs, ontem, a hashtag (espécie de etiqueta) #orgulhodesernordestino, que na segunda-feira foi o primeiro entre os assuntos mais comentados pelos brasileiros no Twitter e chegou a atingir o topo do ranking internacional.


Ontem, Mirella Martins foi uma das centenas de pessoas que se manifestaram em seu microblog contra as postagens racistas. “Quem quer Mayara Petruso na CADEIA por preconceito e incentivo à violência contra nordestinos dá um RT. #orgulhodesernordestino”. Hinara Bandeira, outra usuária do Twitter, também protestou. “Nordestino é burro porque elegeu a Dilma, e paulista é o que já que elegeu o Tiririca? #orgulhodesernordestino”.


No O POVO Online, o assunto também teve repercussão. O leitor Célio dos Santos Mendes lamentou que “no Brasil, ainda tenhamos manifestações preconceituosas como estas”. Para ele, “foram exatamente os nordestinos que mais contribuíram com o crescimento econômico e social das cidades ditas sulistas”. (Ranne Almeida)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

INC. (Fauller responde coreógrafa cearense)

Em janeiro de 2010, a Cia. Dita retomou um projeto criado em 2005.
INC. voltou aos palcos cearenses quase que irreconhecivel.
Repensado, destruído e reconstruído o trabalho coloca na linha de fogo Fauller e Wilemara Barros,
de um lado os admiradores do espetáculo, levemente incomodados com todas as mudanças, do outro o público que ainda não o conhecia, público este que teceu ótimas críticas, mesmo classificando a obra como "dura" ou "pesada".

Seguem fotos e entrevista para Maurilene Moreira (performer, coreógrafa e pessoa da dança do Ceará).


Olá Fauller e Wila,
Olá Cia. DITA...

Estive a assisti-los e confesso que até agora para que eu possa me desbravar a escrita precisaria de umas perguntinhas básicas.
Eu assisti o INC. na época em que ele ficou em cartaz no QUINTA COM DANÇA, alguns anos atrás, se vocês puderem me recordar agradeço...
As impressões obtidas foram totalmente distintas...

1-Certo que estamos em tempos outros... Mas fico me perguntando onde está aquela obra antes vista por mim?

Rsrs, é penso constantemente nisso, como manter a obra viva, e ainda assim deixá-la ser o que ela é, mesmo com tantas modificações...não sei não quero ter essa responsabilidade de falar onde a obra está, ou onde ela pode ir, a obra por si fala quando chega a cena já deixa esses indícios, gosto de deixar algo aberto para que o público também tenha propriedade sobre que o ver.

2-Será que eu cresci e os meus olhos cresceram junto comigo, ou será que são duas obras que tem semelhanças, mas que se diferem?!

Bem, primeiro você cresceu e os seus olhos amadureceram juntos, penso eu, depois não acredito que sejam duas obras, rsrsrs, foi só a forma de como lido com a estrutura da coisa que mudou, mas o assunto, a idéia central do trabalho ainda está lá.

3-Por que duas imagens de sexos opostos com os mesmos saltos altos, com a mesma perna enfaixada, com o mesmo reflexo quando dantes existia uma oposição?

Eu não penso nisso, embora saiba que isso é um símbolo muito importante, quase chega a ser uma questão de gênero, mas quando me coloco também na mesma situação que a Wilemara Barros, apenas estou lidando com a criação de uma imagem, que começa em mim, e se concretiza nela. Essa cena vou ter que amadurecer melhor, essas apresentações foram um bom recomeço de estudo.

4-Será que existia aquele tempo de respiração que se decaía, entrando em decomposição de imagens nos primeiros minutos da cena? 

Não, não existia, mas eu estava muito insatisfeito com o inicio do trabalho, me parecia bastante ingênuo, e agora eu acho que o trabalho tem o peso que deveria ter desde sempre,
acabou o humor...quero algo duro e pesado, como a vida as vezes é.
Acho bom o público saber que tem que pensar, se quiser rir é só ir aos shows da Débora Colker.

5-Por que os ventos de prazer delirantes da coca-cola naquela seqüência que parecia infantil desapareceram?
Não, se transformaram em outra coisa.

A minha resposta anterior responde essa pergunta.

6- E aquele beijo, a sensação de casal de um tempo que ainda virá...
Um devir humanidade, seria? Por que das mudanças? O que mobilizou em vocês a necessidade de chegar ao INC. que ele é hoje?

É, também já respondi, precisava dar o peso que o trabalho pede. Agora posso apresentá-lo em qualquer lugar do mundo, sem temer ser ingênuo. Aqui a ingenuidade não cabe.

*Eu poderia ter escrito sobre estas minhas relações do que ele era antes e do que ele é hoje... Mas preciso me recordar daquele túnel do final em que você, a figura do homem, dançava de encontro à luz e ela, a figura feminina ia ao encontro da luz... Um aparentemente encontrado em seu espaço de atuação (a figura masculina) e a outra encontrada despida, com seus passos rígidos e seu glamour dos sapatinhos vermelhos?

Procuro palavras para a estética do seu trabalho...

7-Há o que clarear?! 

Eu não sei, gosto muito do que torna a percepção do público obscura, rsrsrs, aprendi que o artista não é sempre aquele que explica, mas o que faz perguntas, coloca suas questões, e quem sabe possa apontar alguma saída.
Mas posso dizer apenas que ouve um tempo em que achei que esse trabalho teria um prazo de validade muito curto, mas o tempo está passando, eu estou amadurecendo enquanto artista, e criando outras peças, então vou apresentá-lo e modificá-lo sempre que sentir que haja necessidade, nesse sentido vou dar ao público somente o que eu quero que ele tenha de mim, e espero ser generoso, mas sobretudo honesto comigo mesmo.




*Aqui vão algumas perguntinhas norteadoras...
PS. Tenho admiração pelos trabalhos vossos!

As músicas que eu escuto não tocam na rádio - 03

Gal e Bethânia, duas das maiores divas do mundo, duas rainhas, isso mesmo, duas deusas brasileiras, aqui interpretando duas músicas que amo: Tigresa e Âmbar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010



Mesmo com toda a fama,
mesmo com todo o drama,
mesmo com toda a lama...
seguimos então sem olhar pra trás.